Jornalista - Sídia Ambrósio
sidia@emtempo.com.br
PROCESSO CHEIO DE PERCALÇOS: O caminho para se chegar à norma ISO 26000 foi muito difícil. As discussões envolveram questões cruciais da nossa sociedade, mexendo com interesses de importantes atores polítios e econômicos ao tocar em temas como a relação entre empresas e trabalhadores, barreiras ao comércio internacional e a responsabilidade sobre os impactos ao longo da cadeia produtiva. Nos últimos anos, alguns países e organizações fizeram muito lobby para ter suas visões incorporadas na norma, alterando seu conteúdo para atender a seus interesses.
O caso que chamou mais atenção foi o da delegação chinesa, que, com sua visão negativa sobre a norma, chegou a visitar quase todos os países envolvidos para tentar influenciar seus respectivos votos.
Mesmo com a pressão de atores relevantes, a norma ISO 26000 foi aprovada com números impressionantes: foram 79% de votos a favor. Apesar da aprovação, a norma ainda poderá sofrer alterações em seu conteúdo. No mês de maio, ocorrerá a última reunião do Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO (ISO Working Group on Social Responsibility) para a realização dos últimos ajustes. O texto final deverá ser lançado no final de setembro.
Gustavo Ferroni é coordenador do GT Ethos-ISO 26000
ÁREA GANHARÁ PLANO DE GESTÃO: Toda a Área de Proteção Ambiental (APA) da Caverna do Maroaga está incluída na proposta.
Incorporada em 2007 ao Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc), a Área de Proteção Ambiental (APA) da Caverna do Maroaga, onde vivem cerca de 42 comunidades, deve ganhar um Plano de Gestão a partir de 2011.
A Caverna do Maroaga, localizada no KM-08 na estrada de Balbina, integra o complexo da APA, que vai do KM-98 até o KM-200.
Na semana passada, um grupo de técnicos do Ceuc esteve em Presidente Figueiredo iniciando uma discussão sobre a proposta do Plano. Este será elaborado por uma empresa composta por especialistas nas áreas de ciências naturais e humanas. Os estudos devem ser conclídos no final deste ano, segundo informou a assessora técnica do Ceuc, Cláudia Steiner. O Plano não se limitará à Caverna do Maroaga, mas a todo o complexo da APA. Os recursos para a elaboraçao do Plano e sua execução virão de um termo de cooperação entre o Estado do Amazonas e a Fundação Betty Moore, dos Estados Unidos. Cláudia Steiner não soube dizer o valor do Plano.
Conforme Steiner, o Plano de Gestão não inclui estudos científicos sobre fungos da Caverna. Segundo a assessora ambiental, a interdição foi uma medida de precaução tomada na gestão da prefeitura, em 2006, que permanecerá por tempo indeterminado.
A reportagem apurou junto ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que não existem pesquisas sendo realizadas especificamente sobre os fungos encontrados na Caverna do Maruaga.
SAIBA MAIS:
O Ceuc pretende lançar no final de abril licitação para construção de um Centro de Visitante na Caverna do Maroaga. O projeto prevê a construção de uma estrutura que permitirá a permanênia de guias no local, além da confecção de material informativo e melhorias de trilhas. Os recursos, da ordem de R$ 130mil, virão do Programa de Compensação Ambiental do Gasoduto Coari-Manaus.
Revista Meio Ambiente Industrial - Ano XI - Ed 65 - Janeiro/fevereiro de 2007
AUTORA - Jornalista Lilian Quintanilha